domingo, 25 de maio de 2008
Atleta catarinense participa de treinos para as paraolímpiadas da China
sábado, 24 de maio de 2008
DESAFIO BRASILEIRO SOBRE O GELO
terça-feira, 20 de maio de 2008
Entrevista com Marcos LimaPrimeiro Cego Brasileiro a
Acompanhe minha entrevista com o primeiro cego do Brasil a esquiar na República Tcheca.
Josué: Você acredita que a cegueira ajudou a vencer o medo, pelo fato de não estar enxergando?
Marcos: Ajudou. Claro que atrapalha porque a gente tem medo do desconhecido, não só a gente cego, mas a gente ser humano. O ponto está em saber se seria maior o medo do desconhecido ou o medo da altura. E eu sinceramente, acho que o medo da altura seria maior, portanto eu acredito que tenha levado alguma vantagem, risos. Mas me ajudou muito o fato de sempre ter praticado esporte, de ser jogador de futebol, porque eu já tinha um conhecimento corporal que me ajudou muito. Não só porque eu sabia cair e por isso não tinha medo quando caía, mas também porque no futebol eu estou acostumado a correr contra o desconhecido, de não saber exatamente o que está à minha frente e ainda assim correr. E isso eu fazia no esqui. Claro, que o futebol me ajudou muito. Teve um dia em que o meu treinador foi me ensinar a cair, e ele ficou espantado porque ele descobriu que eu sabia cair. E eu só sabia cair porque se eu não souber cair no futebol, eu não posso jogar.
Josué: você já havia passado por alguma experiência semelhante antes?
Marcos: Nunca tinha tido nenhuma experiência com esqui não. Eu. Conheci o equipamento de esqui numa loja quando cheguei na Bélgica.
Josué: A prática do esqui em relação ao futebol, apresenta situações diferentes em termos de velocidade ou para você é a mesma coisa?
Marcos: Mas eu não comecei logo a plena velocidade, eu comecei com uma pessoa me acompanhando a cada movimento. A velocidade e as curvas, que é o que dá mais medo, vem aos poucos. E, quando elas vem já estava acostumado. Não saí esquiando profissionalmente, precisaria de mais algum tempo para isso, mas minha evolução foi muito elogiada. E eu tenho certeza que foi pelos conhecimentos corporais que eu já levava. Se fosse um cego que nunca praticou esporte, certamente ele teria tido muito mais dificuldades.
Josué: Fale um pouco sobre o projeto, e o exercício do bambu?
Marcos: Fundei com alguns amigos. O projeto foi meu e do Gabriel Mayur, que é o gerente de projetos da Urece e que está cursando mestrado em desporto adaptado na República Tcheca. Abriu um curso de esqui para deficientes na universidade dele e ele me chamou para fazer parte. E daí corremos atrás de parceiros para que a viagem fosse possível. Conseguimos levar uma jornalista para registrar a experiência, e isso proporcionou a divulgação do evento, já que as TVs só aceitavam fazer a matéria se tivessem imagens feitas de eu esquiando. O exercício do bambu, você viu isso, hehe. Foi muito engraçado, porque eu não sabia de onde vinha a pancada para me derrubar. Me ajudou a ter uma reação melhor, um reflexo que sem dúvida foi importante para mim nas montanhas.
Josué: Qual era o tempo em média de cada atuação sua? havia um tempo pré-determinado ou era de acordo com o q você poderia suportar em termos de condições climáticas e preparo físico?
Marcos: eu não estava competindo. Estava la'treinando e aprendendo, não necessariamente nessa mesma ordem. Por isso, o tempo quem determinava eram meus treinadores.Em geral, cada sessão tinha uma ou duas horas pela manhã e o mesmo tempo à tarde. Mas as vezes o treinador exigia que eu ficasse um dia de repouso ou no mínimo um período, porque ele acredita que os deficientes visuais têm certa dificuldadede assimilar movimentos muito novos por longos períodos sem descanso. No terceiro dia, quando eu fui praticar quando o certo seria descansar. Foi o dia em que eu mais errei, mas errar e cair também faz parte. Meu treinador disse que eu precisaria daquele descanso para que o meu cérebro pudesse processar todos os movimentos. Mas como a temporada era curta, eu tinha que aproveitar todos os momentos.
Josué: E qual seria o seu objetivo a ser alcançado? Dentro desse projeto? Competir?
Marcos: O meu treinamento fez parte do projeto de eu me tornar o primeiro cego brasileiro a esquiar, porque queríamos, com isso, não só chamar a atenção para aurece 9a associação que conseguiu esse projeto) como também para os deficientes visuais em geral. Esqui é um esporte radical e então se um cego pode fazer,ele pode fazer muito mais coisas do que as pessoas em geral imagina. Isso foi uma forma de tentar quebrar um pouco o preconceito que a gente vive diariamente. Mas difícil do que esquiar , é andar pelas cidades Claro que se tiver patrocínio e condições, eu quero continuar, tentar chegar a algum patamar internacional,mas o primeiro passo tinha que ser dado e felizmente a gente conseguiu ser pioneiro nisso Para chegar a competir, eu tenho que treinar muito mais. o tempo estipulado de aprendizagem para um deficiente visual é de três invernos. Eu, em um inverno,consegui progredir dois invernos. Ou seja, para eu começar a pensar em competir, ainda teria que passar por mais um período de aprendizagem e então me inscrever e começar a disputar. Daí para chegar a uma Paraolimpíada, tem um longo caminho pela frente. Mas a gente sempre pensa alto, eu quero o máximo,lógico, mas estou satisfeito com o que conseguimos até agora.Ao retornar para o Brasil, consegui uma divulgação na mídia que foi boa, mas poderia ter sido muito melhor. Mas não consegui nenhum patrocínio não, infelizmente.
Josué: Quais foram as análises das pessoas q te acompanharam, como por exemplo do seu técnico?
Marcos: que eu estou entre os cinco alunos dele de maior e mais rápida aprendizagem. E ele ensina isso há trinta anos. Eu fiquei satisfeito, não esperava que eu tivesse tanta facilidade. Sinceramente, há um caminho enorme ainda a percorrer, mas eu sai daqui sob os piores auspícios: "vai cair! Vai se quebrar todo!" e felizmente nada disso aconteceu.
Josué: Qual foi a receptividade das pessoas ao voltar ao Brasil, como amigos família e colegas de trabalho?
Marcos: Foi ótima cara. Teve aquele componente pessoal também, porque eu fiquei muito tempo fora, mas eu sei que ficaram orgulhosos de mim porque muita gente previu que eu fosse me acidentar.
Josué: Lá já é comum então para as pessoas verem um cego esquiando de forma competitiva?
Marcos: Sim, lá criancinhas de quatro ou cinco anos já esquiam direitinho.
Josué: E suas expectativas, quais são daqui para frente? você realmente vai se dedicar ou vai tentar conciliar as duas coisas trabalho e ser um atleta paraolímpico, o que você acha que vai rolar?
Cara, estou ainda distante de ser um atleta paraolímpico. Queria que pintasse algum projeto, algum patrocínio, quem sabe para o meio do ano no inverno sul-americano, mas por enquanto isso é bem distante, não tem nada acontecendo nesse sentido. Eu quero ter outra chance e tentar chegar a algum lugar. quem sabe ser o primeiro atleta brasileiro numa Paraolimpíada?
Josué: e o q você pôde identificar nas pessoas cegas ao descobrir essa modalidade já q no Brasil não é praticado?
Marcos: Cara, acho que tá muito longe das pessoas aqui, porque esportes de inverno não são difundidos para ninguém, deficientes ou não.
Josué: Se para conseguir apoio a modalidades como o futebol para cegos já é um desafio imagina para esquiar, ou você não vê assim?
Marcos: Vejo assim. Os custos são muito altos, porque é uma atividade praticada fora do Brasil, E eu trabalho com isso todos os dias, buscando patrocínio para modalidades praticadas aqui no quintal e nada acontece. Por isso que eu não tenho tantas esperanças de que o projeto do esqui possa ir à frente, infelizmente.
Josué: Marcos fico muito agradecido por sua gentileza pois também estou aprendendo muito com você. Desculpa por algo.
Marcos: Até três meses atrás, era um assunto totalmente desconhecido para mim também, EU nunca tinha visto neve.
Cego Brasileiro é Pioneiro na Inclusão de Esportes de Inverno
Marcos Lima, formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), participa de uma experiência única como esquiador na República Tcheca.
Esquiando no escuro
Confira abaixo um vídeo exclusivo para o blog Pátria Inclusiva e aguarde uma reportagem completa com o atleta.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
HELEN KELLER, UM MITO DA INCLUSÃO SOCIAL NO MUNDO
Helen Keller (1880-1968) foi uma jovem norte-americana que aos 19 meses, depois de grave doença, ficou cega e surda e quase muda em consequênciada surdez. Nestas condições, sem poder ver nem ouvir, passou a depender total e completamente do sentido do tacto para comunicar com os outros seres humanos.TRÊS DIAS PARA VER
Por Helen Kellerquarta-feira, 2 de abril de 2008
Exemplo de superação marca a história da inclusão social no Brasil
Esse sou eu no setor braile da Biblioteca Pública de Santa CatarinaNasceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 8 de abril de 1834, filho de Manoel Alves de Azevedo. Apesar de todos os esforços da família no sentido de combater a cegueira do garoto, utilizando-se de todos os recursos oferecidos pela medicina da época, Azevedo foi destinado a viver sem visão. Dotado de uma inteligência extremamente aguçada, ele demonstrava suas percepções bastante avançadas na infância. Com ar de curiosidade tocava em todos os objetos em sua volta. Porém, o destino desse menino não seria condenado ao analfabetismo, condição vivida pelas pessoas cegas nesse período. Surge, então, em sua vida o renomado Dr. Maximiliano Antônio Lemos, amigo da família Azevedo e homem de boas relações políticas. Conhecedor de uma escola para cegos em Paris, na França, Maximiliano tentou durante cinco anos (1839-1844), de todas as formas convencerem a família do menino sobre o quanto seria importante enviá-lo para a Europa, a fim de buscar instruções e novos conhecimentos em uma instituição especializada.
Finalmente foi matriculado no Real Instituto dos Jovens Cegos de Paris, aos dez anos de idade. Levou em sua bagagem um espírito de jovem guerreiro, predestinado a voltar para o Brasil e oferecer aos seus compatriotas cegos à rica oportunidade de ler e escrever. Assim, abriu caminhos na educação dos cegos brasileiros.
Por seis anos, permaneceu na França e estudou na mesma escola de Louis Braille, jovem cego inventor do sistema Braille e que provavelmente teria sido um de seus professores.
Retornando ao Brasil
Preparado para o convívio social e reabilitado, José Alves de Azevedo chegou da Europa no dia 14 de dezembro de 1850, com o propósito de divulgar o sistema Braille e criar uma instituição semelhante à qual havia estudado. Nos primeiros meses no Brasil procurou palestrar sobre a importância da educação dos cegos nas comunidades e salões da Corte, em casas de família, sendo o primeiro professor cego brasileiro. Alfabetizou crianças e filhos de figuras importantes da capital imperial. Sua primeira aluna foi Adélia Sigaud, filha de Francisco Xavier Sigaud, médico da corte do imperador, a qual viabilizou os sonhos do professor. Marcada uma entrevista pelo Dr. Sigaud, Azevedo demonstrou suas habilidades ao ler e escrever em Braille. Então o imperador mencionou a memorável frase: "A cegueira não é quase uma desgraça". Nesse período, inicia-se o processo de ensino através de Adélia Sigaud, que passou a ser educadora e a primeira cega a ler e escrever no Brasil.
Com o incentivo do Imperador, José Alves de Azevedo trabalhou na projeção do Instituto Imperial dos Meninos Cegos, atual Instituto Benjamin Constant (IBC), no Rio de Janeiro. O jovem idealizador, vítima da tuberculose, faleceu no dia 17 de março de 1854, aos 20 anos, seis meses antes da fundação do Instituto.
O precursor do sistema Braille expressou seu sucesso como conhecedor da cultura nacional, pesquisando a história do País nos acervos da biblioteca nacional.
Escreveu manuscritos e desempenhou seu talento também na música. Seus ideais estiveram sempre vivos na expectativa de viabilizar a educação aos cegos brasileiros.
As pessoas cegas nas regiões interioranas do Brasil ainda enfrentam desafios no que diz respeito a sua integração na sociedade. A super proteção dos pais gera insegurança nas pessoas com deficiência, que em sua maioria acabam formando uma personalidade imatura. Este quadro está ligado diretamente com a falta de incentivo por parte do governo, o qual deveria aplicar políticas de acessibilidade no currículo das escolas e no investimento em projetos sociais. Atualmente a ONCE (Organização Nacional dos Cegos Espanhóis) é uma das maiores entidades dos movimentos de associativismo do mundo. Também é criadora de inúmeros programas e fabricante de equipamentos.
Uma de suas parcerias com o governo Espanhol destina boa parte das arrecadações da loteria federal a favor das pessoas cegas.
De acordo com o Censo demográfico de 2000, o déficit educacional destas pessoas é em média um ano menor em relação aos estudantes matriculados na rede de ensino. É preciso que as lideranças das comunidades tomem ações no sentido de apoiar e fiscalizar juntamente com as entidades competentes a inclusão dos cegos. Como cidadãos, podemos encontrar milhares Josés de Azevedo, homens e mulheres que estão aguardando uma oportunidade para demonstrar seus talentos, cada um de nós pode ser a porta para a realização de brasileiros e brasileiras que ainda vivem no esquecimento.
